quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Um bem maldito


O meu amor é de paz
De sossego devagar e sagaz
Volúpia de devaneio 
Moldura dos pais,
É sossego 
Desalinhado
Incomodado
Destemido 
Inconformado
Intolerante
É horrendo
Imaginário
É uma  otária
Que pensar em amor...
O meu amor é corrigido
Impecável
Erudito
Recreável
Um bem maldito
Indispensável pra mim!
O meu amor é a sobra do meu passado
Refletida no futuro
Desencadeada de fatos 
Alimentada por imundos
Destruída pelos puros
Revelada por tudo, que tenho.
Meu amor é de paz
É sossego vagaroso 
Esse timbre tão gostoso
Que me chama pra dançar

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O jardim


O Vento que assoprava do leste, envolvia meus cabelos deixando a atmosfera mais relaxante o possível, e o contorno do horizonte sobre a paisagem era tão magnífica, que trazia arrepios, e sensações distintas após segundos de observação. Tudo parece tão calmo e sigiloso. Agora minha alma estava envolvida nesta felicidade particular.
Ao redor de tantos fatos e situações, sempre sentia que a sensação de solidão seria um fator recorrente ao ser como eu, que se apega aos detalhes. Uma áurea de duvidas sempre esteve em orbita sobre os meus pensamentos, a minha sensibilidade a respeito de todos os detalhes recorrentes o dia-a-dia, das coisas mínimas e simples sempre me geraram questionamento grandiosos, e a sensação de solidão seria constantes, pois não haveria nada com quem compartilhar essas anotações singelas da minha mente.
Tudo aquilo que penso e sinto, é reflexo dos detalhes sórdidos da vida. A angustia de não achar maneira de acabar com essas frustração e duvidas, é maior do que o próprio pensamento existencialista. Por que me sinto assim? Por que tantos questionamentos? Por que é tão grande e torturante esse sentimento de solidão?
Sentada aqui, encostada nesta grande arvore, trazendo odores tão rústicos ao meu olfato, causando alivio a minha mente, percebo, que a solidão não é um meio de castigo ao meu ser, mas sim uma prova, de que minha alma esta tão envolvida com a simplicidade, que não consegue se alinhar com o caos da rotina.
Lagrimas esparmando refrescancia ao meu rosto contra o vento. E os meus dentes insistiam de contornar minha boca, num sorriso tosco e alegre. A felicidade surgiu de maneira tão prazerosa que nem senti, que foi a paisagem que me envolvia, que me trouxe ela de volta. 

domingo, 7 de outubro de 2012

Burocracia


Nas ruas da grande cidade estou absorvida nos meus pensamentos. Como o cidadão virou refém do seu próprio aparato burocrático? Como um sistema que foi feito ara garantir a lisura e confiabilidade, pode guardar tantos detalhes? Por que tantas exigências para uma simples contratação pública? Por que existem pessoas que viraram especialistas em burocracia pública?
As respostas para todas estas perguntas é única. A burocracia cheia de poréns existe para garantir a idoneidade, já que o ser humano não consegue isto por si só. Somos uma espécie corrupta, que em algumas culturas ganhou ênfase tamanha que foi incorporado ao cotidiano.
Corrupção é o fungo que se forma e leva a podridão sistemas escolares, hospitalares, empresariais, políticos, o próprio cidadão, a família, que se viciam em tão prática inescrupulosa. O interessante passa a ser observar aquelas pessoas que tentam se manter corretas dignas, fazendo sua parte, pensando no coletiva, ser atropelada pelo um tsunami de anedotas, apontamentos e risinhos irônicos, como se ser digno fosse o maior dos absurdos.
A honra passou a ser passiva de notícia nacional, homens que simplesmente cumprem o seu dever são evidenciados desesperadamente como a luz no fim do túnel, para que a esperança sobreviva. Ao mesmo tempo existe uma inversão completa de valores, onde o traído passa a ser o culpado, enquanto o traidor o vangloriado, o humilde vira trocha nos sarcasmos dos corrompidos.
As más ações e pequenos delitos são exaltados em inúmeras histórias fabulosas, como sinônimo de exemplos de vida, no qual borbulham efervescentes na mente das crianças e da juventude louca para entrar para esta parcela majoritária.
Presa na garganta ecoa o grito silencioso de liberdade, que reflete nas paredes e vidraças dos arranha-céus, mexendo com todo o ambiente em sua volta e trazendo a razão da caminhada nos ladrilhos pretos e brancos do calçamento no passeio da larga avenida, céu de outono azul perfeito é penteado pela brisa fresca, que o leva as reflexões.
A prisão sem muros que o encarcera é a pior das punições, pois é visto como louco por cumprir seus deveres exemplarmente. A inveja dos colegas de trabalho o fere e a chagas vertem um vermelho escuro cheio de dor.
A tentação da luxuria o persegue pessoalmente, cheia de desejos indescritíveis, raivosa pela indiferença e sedenta por vê-lo no fundo do precipício esquartejado por pedras pontiagudas.
Os bobos da corte satirizam-no sem parar, para tirá-lo do sério e deste momento de instabilidade conseguir levá-lo ao hospício de um homicídio degradante. As pinturas escorrem as tintas escuras, que respingam no chão.
As passadas aumentam a velocidade, a multidão o sufoca se sente preterido entre um semáforo e outro, na travessia das ruas transversais. O ritmo da megalópole é intenso e intrínseco, acordes, que acordam no compasso de buzinadas e chigamentos, de freadas e arrancadas, do burburinho da multidão.
O letreiro atenta para a notícia de investigação no Senado, a cena se esvai no silêncio do pensamento, que o conforta por saber que se mante ausente daquela loucura, daquela balburdia, consegue se desvencilhar do manicômio poluído, sem perder a sensatez, sua arma mais poderosa é acreditar no ser humano, mesmo passando por idiota, trouxa, maluco, continua a cruzada pela liberdade, pregando o respeito, dando seu voto de confiança ao coletivo, a sociedade.
Talvez ele seja o louco, pois é ele que não se enquadrou no modelo, é ele que responde sem ser perguntado diretamente, é ele que acredita no mendigo, é ele que compreende as necessidades de cada um, que advoga aos acusados, que procura razão em todas as coisas. É ele que se vê algemado pela burocracia, encamisado pela injúria, acorrentado pela falta de consciência de coletividade, que afeta os milhões de vizinhos solitários da grande metrópole. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Paradoxo


   Esteve longe tempo suficiente para não sair de perto. E indo e vindo não saía do lugar, porque não gostava da constante inconstância. Queria tanto não desejar coisa alguma que obteve tudo o que não pediu. Além disso, andava só e mal acompanhado, quase sem poder dizer se tinha companheiros ou não. Passava as noites na claridade, para se recuperar da escuridão diurna. Se fechava os olhos, enxergava mais do que podia, se os abria, era cego. Dizia que todo ser era mentiroso e afirmava dizer a verdade, mas ele próprio era um ser. Ser ou não ser não lhe trazia questão alguma, só algumas dúvidas retóricas pras quais ele não tinha resposta. Gostava da agitada vida notívaga, tanto que a dormia por inteiro, e, quando acordava, não sabia se estava desperto. Caminhava tranquilamente, quase correndo, e sentindo sede ou fome parava para lembrar que já tinha se alimentado. Alimentava-se a si e a si mesmo somente, fornecendo seu alimento para qualquer um que o requeresse, retirando daí sua força alimentar. Bebericava sua água imunda, e ela o descia cristalina pelo corpo pequeno, que ocupava um espaço quase imenso. Sorria de tristeza, porque chorar não lhe trazia lágrimas, ou porque não soubesse, talvez. Não sabia nada, mas sua mente ignorante era a mais brilhante que se podia encontrar. Pedia para brincar de ser sério, e na maturidade alcançou o patamar de criança com peso nos ombros de adulto. Preenchia os vazios com nada, acudia quem estava em paz, renegava o que lhe obrigavam a aceitar. Desmanchava-se todo, se atirava do precipício, se baleava por mãos alheias e saia incólume, sem arranhões que fossem. Tinha uma fé inabalável, pois acreditava que nenhum ser superior pudesse jamais existir. Gostava das linhas retas, dessas que fazem curvas e se retorcem num só plano. Não se importava de ser tingido, proferido, desferido, referido, atraído ou induzido. Queria ser, só, sem existir em parte alguma. Tinha paciência indelével, e quando não o entendiam, enfurecia-se logo para acabar com aquilo de vez. Prezava ser escrito, mas não gostava muito de ser só palavra. Queria mais, queria qualquer coisa, queria nada. Não se contentava em ser figura, mas se sentia suficientemente bem assim. Preferia ser só linguagem, mas isso não o satisfazia. Era atrevido, retraído e distraído. Todos lhe indicavam o sentido, mas ele não tinha sentido algum e não sentia. Era tudo o que se possa imaginar, mas não passava daquilo, o paradoxo

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Crianças.



Ah, querida, o que é que se pode fazer com as crianças? Elas nunca entendem. Não entendem porque eu estou aqui, deitado, enquanto elas precisam ficar sentadas numa sala prestando atenção em alguém. Elas não entendem porque meus olhos ficam fechados na maior parte do tempo, mesmo quando falo, enquanto elas precisam abrir bem os olhos e manter fechada a boca. Não entendem porque eu choro mesmo adulto, porque eu sinto dor sem dizer nada e porque minha face não tem mais cor. Elas não entendem querida, porque sofrem. Sofrem sem entender o sofrimento e choram sem ter conhecimento das lágrimas. Elas não entendem. A totalidade da inocência está nas crianças, e elas não entendem. Doi nas crianças, elas doem. Me pedem para não deixá-las, mas quando é que eu faria isso? O choro mais sofrido, querida, reverbera em mim só na angustia. E doi tanto porque também não entendo. Não entendo mais a pureza da infância nem o amor que eu sinto, exacerbado e dolorido que elas não conseguem entender, bem como a doença, que me consome. Eu morro querida, e as crianças não entendem. Quando chorarem por mim, ficarão confusas. Quando sentirem minha falta, não saberão porque. E quando pensarem em mim será estranho e incomodo. Vem aqui, meu bem, pega minha mão. Assim. O morrer elas não entendem. Mas quando eu não estiver mais aqui para explicar-lhes, querida, diga a elas que um dia entenderão.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Oportunidade perdida

Não era simplesmente, volúpia, nem mesmo algum certo desejo, o toque comum entre os ombros , parecia não ser um mero acaso do sentido tato trabalhando, era como uma conexão nervosa, aonde ambos seres conseguiam sentir, o desejo absorvendo todos os seus pensamentos programados, lhes deixando sem anedota para contar um ao outro.
Deitados lado-a-lado sobre o luar, perdidos sobre numa imensidão das estrelas, apenas conseguiam sentir o cheiro de sereno trazendo rusticidade à colina verde escura onde estavam esperando um do outro, algo impulso físico, aonde o psicológico já havia terminado.
O desejo é traiçoeiro, e dois seres-humanos confusos a respeito deste mesmo, traz a tona o pensamento de que eles foram atraídos por aquilo que lhes completaram.  E de alguma maneira,conseguiam sentir que  um simples e sutil toque pode ser tão intenso, quanto um beijo sem vontade.
Vontade? Impulso? Desejo? Solução?  A hesitação lhes tomou conta, e os braços dele envolveu o dela, fazendo sem querer o copo de vinho manchar o vestido da moça, a jovem se apoio nos cotovelos e lamentou, riram um para o outro mas, ainda contidos voltaram a fingir a observar estrelas,mesmos ambos os sentimentos estarem voltados um  para o outro, em uma estranha conexão que os faziam esquecer onde seus corpos estavam.
Erro? Acerto? Confusão? Pobres medíocres, que nunca saberiam, que se acorresse algum outro qualquer impulso poderiam sim, viver juntos para o resto da vida. Mas a vida é injusta de maneira eficaz, e isso é oque torna cada ser singular a partir de suas escolhas.O vinho estava ali, naquele centímetro exato, para fazer ocorre a sensação distinta entre os dois. O que tornaria, ou melhor, o que motivaria o destino cruzar a linhas deste dois jovens? Um Beijo, um gesto a mais? Pouco lhes importaria pois aquele fatídico momento sem impulso, sem anedotas sem prazerem físicos  ou sequer solução, perceberam que a felicidade é tão oposta a vida que estando nela, esqueceram de viver.


Inspiração:

Sonhos Eróticos de Uma Noite De Verão - Wood Allen

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sobre Coisas Que Cabem em Um Mês

A preguiça física nos impede de mudar. Mas basta uma faísca entre dois neurônios para que nossa mente nos aponte para outra direção. Das duas uma: ou tu segues as novas coordenadas, que te podem levar por terrenos inóspitos e até mesmo campos minados, ou optas por permanecer no curso antigo, ignorando a intermitente buzina que te avisa: “estás no caminho errado”.Não digo “errado” no sentido mais amplo da palavra. Talvez sejam justamente as instruções antigas, as que estavam corretas. Mas acredito que, às vezes, precisamos deparar com um beco sem saída para descobrirmos que o caminho é pro outro lado. A vida já cansou de me provar repetidamente que a escolha certa é justamente a que me parece mais errada. Mas a gente precisa errar. Mas não errar por engano, por distração, displicência. Eu erro com força, e com vontade. Eu erro melhor, para errar menos.
E, sim, saio errante pela rua, torcendo pra chuva não me pegar, ou enxarcar cada centímetro da minha pele. Não é que eu esteja deixando a maré me levar, como se fosse plâncton. Eu erro por aí na tentativa de acertar. Depois de perceber que, sempre que acho que estou fazendo a coisa certa, descubro que estou machucando alguém, tenho apostado cada vez mais no que não me parece sensato. Improvável? Vamos. Impossível? Não existe. Impensável? Bora!
Sigo a maré das sinapses. Se a mente muda, eu mudo. Somente assim eu possa ser cem por cento sincero com aquele que mais estimo: eu.
“Tá, mas o que é que cabe em um mês?” – tu perguntas. Um ciclo lunar, um ciclo menstrual, uma copa do mundo, duas olimpíadas, um amor de verão, quatro amores de verão…
Um mês é o tempo que levei pra escrever de novo. O tempo que minha mente demorou pra mudar o curso da minha alma. Pra onde ela aponta agora? Pra bem longe.
Prometo ser mais ágil, escrever mais, e depois ler minha sensações esclarecidas perante as palavras.