Ah, querida, o que é que se pode fazer com as
crianças? Elas nunca entendem. Não entendem porque eu estou aqui, deitado,
enquanto elas precisam ficar sentadas numa sala prestando atenção em alguém.
Elas não entendem porque meus olhos ficam fechados na maior parte do tempo,
mesmo quando falo, enquanto elas precisam abrir bem os olhos e manter fechada a
boca. Não entendem porque eu choro mesmo adulto, porque eu sinto dor sem dizer
nada e porque minha face não tem mais cor. Elas não entendem querida, porque sofrem.
Sofrem sem entender o sofrimento e choram sem ter conhecimento das lágrimas.
Elas não entendem. A totalidade da inocência está nas crianças, e elas não
entendem. Doi nas crianças, elas doem. Me pedem para não deixá-las, mas quando
é que eu faria isso? O choro mais sofrido, querida, reverbera em mim só na
angustia. E doi tanto porque também não entendo. Não entendo mais a pureza da
infância nem o amor que eu sinto, exacerbado e dolorido que elas não conseguem
entender, bem como a doença, que me consome. Eu morro querida, e as crianças
não entendem. Quando chorarem por mim, ficarão confusas. Quando sentirem minha
falta, não saberão porque. E quando pensarem em mim será estranho e incomodo.
Vem aqui, meu bem, pega minha mão. Assim. O morrer elas não entendem. Mas
quando eu não estiver mais aqui para explicar-lhes, querida, diga a elas que um
dia entenderão.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Oportunidade perdida
Não era simplesmente, volúpia, nem mesmo algum certo desejo,
o toque comum entre os ombros , parecia não ser um mero acaso do sentido tato
trabalhando, era como uma conexão nervosa, aonde ambos seres conseguiam sentir,
o desejo absorvendo todos os seus pensamentos programados, lhes deixando sem
anedota para contar um ao outro.
Deitados lado-a-lado sobre o luar, perdidos sobre numa
imensidão das estrelas, apenas conseguiam sentir o cheiro de sereno trazendo
rusticidade à colina verde escura onde estavam esperando um do outro, algo
impulso físico, aonde o psicológico já havia terminado.
O desejo é traiçoeiro, e dois seres-humanos confusos a
respeito deste mesmo, traz a tona o pensamento de que eles foram atraídos por
aquilo que lhes completaram. E de alguma
maneira,conseguiam sentir que um simples
e sutil toque pode ser tão intenso, quanto um beijo sem vontade.
Vontade? Impulso? Desejo? Solução? A hesitação lhes tomou conta, e os braços dele
envolveu o dela, fazendo sem querer o copo de vinho manchar o vestido da moça,
a jovem se apoio nos cotovelos e lamentou, riram um para o outro mas, ainda
contidos voltaram a fingir a observar estrelas,mesmos ambos os sentimentos
estarem voltados um para o outro, em uma
estranha conexão que os faziam esquecer onde seus corpos estavam.
Erro? Acerto? Confusão? Pobres medíocres, que nunca
saberiam, que se acorresse algum outro qualquer impulso poderiam sim, viver juntos para o resto da vida. Mas a vida é injusta de maneira eficaz, e isso é oque
torna cada ser singular a partir de suas escolhas.O vinho estava ali, naquele
centímetro exato, para fazer ocorre a sensação distinta entre os dois. O que
tornaria, ou melhor, o que motivaria o destino cruzar a linhas deste dois
jovens? Um Beijo, um gesto a mais? Pouco lhes importaria pois aquele fatídico
momento sem impulso, sem anedotas sem prazerem físicos ou sequer solução, perceberam que a
felicidade é tão oposta a vida que estando nela, esqueceram de viver.
Inspiração:
Inspiração:
Sonhos Eróticos de Uma Noite De Verão - Wood Allen
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