Eu me apego
ao detalhe, pois somente ele aparenta ser fiel á leveza de nossa existência.
Sou a totalidade de uma melancolia que eu mesmo desconheço, e tenho medo de ter
certeza de minha condição, por medo de ser enganada pela perversidade de meus
desejos. Não se pode ter convicção quando não se tem certeza de quem realmente
é, e não sei explicar essa paixão que sinto por cogitar a ideia de ser livre, se
nunca pertenci a nada e nem a ninguém.
Sou
simplista, pois cativo-me ás coisas bonitas. Por um mínimo segundo qualquer me
emociono com a beleza da expressão, seja da natureza, da artística ou do acaso,
e me apego á essas frações de tempo tão fortemente, que encontro o prazer de
viver. Contudo sou complexa, duvido de convicções já exemplificadas, e temo
aquilo que me impõem de certeza. Enfim devo ser alguém paradoxal, coberto de
receio, e espontaneidade, de gargalhadas e lagrimas, não sabendo que sentimento
é difuso ao outro, apenas tentando aliviar essa indiferença do mundo com a arte.
Porem a arte
surge a mim como uma faca de dois gumes, me frustro com o caos da totalidade, e
redimo minha angustia por sentimentos, musicas, fotografias e principalmente
livros, me acumulo em cada pixel, acordes, páginas, e detalhes, deixando
todo meu sufoco se distrair com a genialidade da expressão humana. Contudo após
o termino da admiração me frustro ainda mais, por saber que nunca vou atingir a
perfeição de tais expressões artísticas. É um fluxo continuo que temo carregar
a vida toda. Esse sentimento de admiração coberto de receio, que se
desmonta e se reconstrói ao termino de cada apreciação artística em que me
apaixono.
Nunca vou
entender essa minha atração pelo a autodestruição. É como se eu tivesse
tentando encontrar algo que jamais vou achar.Qualquer um dos meus sentidos é
vago de razões para aceitar o conformismo das pessoas. É tanta pretensiosidade espalhada
por ai, e eu tenho tanta repulsa por essas prepotências humanas, que já consigo
lidar bem com a companhia da solidão.Já me conformei com o fato que preciso lidar com esse meu sentimentalismo. Porem
nunca terei certeza se o caos perdura fora, ou aqui dentro de mim.
Todos nós possuímos a necessidade, de medir, traçar, e dar etapas ao um processo, seja ele um processo importante e comum como observar nosso crescimento físico e mental ,ou talvez um processo obsoleto como organizar objetos, e contar uma história rotineira. Lidamos como uma vontade inconsciente de demarcar pontos estratégicos para poder refletir e analisar oque estamos fazendo, essa necessidade pode ser caracterizada por uma falha compartilhada á todos, a mente descontinua.
Temos o nosso cérebro, e todos os nossos sentidos moldados para poder formar imagem e espaço de forma média ou seja, não conseguimos observar o macroscópio, como uma célula, a formação de uma molécula, o tamanho dos átomos, nem conseguimos a analisar, os componentes do sol, o tamanho de nossa galáxia. O ser-humano tem dificuldade de caracterizar ordens maiores ou menores além de sua percepção e sentido, assim acontece com a velocidade da luz ou algo com uma movimentação muito lenta a ponto de não poder se perceber. Isso não tem lógica pela forma em que como nosso cérebro foi construído, então precisamos de analogias, explicações teóricas, metáforas, para assim compreender esse processo que não estão ajustados a nossa condição natural.
A nossa mente não consegue entender, de maneira fácil, esses extremos que existem,- e não é por que não conseguimos compreender, que algo deixa de existir - até por isso nós acabamos compartimentando tudo, apesar de serem necessárias, elas são naturalmente arbitrárias , o ser-humano precisa decidir certas coisas, para que a sociedade funcione, a maioridade penal é um exemplo desse ato-falho. Quantos estamos prestes á fazer 18 anos, e o horário está preste a mudar para 24:01 não nós sentimos especiais, contudo bem ou mal com 18 anos você passa a a ter direitos em que um dia antes você não tinha. Será que durante aquele minuto foi passou a ter uma maturidade necessária para exercer ordens da sociedade, da qual á uma semana antes você não seria capaz? Isso é obra da nossa mente descontinua, não tem como limitar nosso crescimento físico ou psicológico demarcando o tempo, isso varia de acordo com a experiencia de cada pessoa, sendo isso totalmente natural e totalmente arbitrária.
Algo pelo qual o ser-humano tenta entender formando processos cientificamente ou religiosamente é o tempo. O tempo absolutamente não tem natureza própria, quando nos parece longo, é londo, e quando nós parece curto é curto, mas ninguém sabe realmente a sua extensão, pelos pesares de medimos ele com relógios e calendários. Contudo esse tempo é muito diferente conforme as sensações que experimentamos; e que na realidade pode ser somente um movimento no espaço e medimos portanto, o tempo pelo espaço.
Percebemos o espaço com os nossos sentidos, por meio de vista e tato. Mas que órgão possuímos para medir o tempo? Como podemos medir uma coisa que na qual no fundo não sabemos de nada, nem sequer uma características?
Para que o tempo fosse mensurável, seria preciso que decorresse de modo uniforme; e quem lhe garante que é mesmo assim? Para nossa consciência, não é. somente o supomos, para a boa ordem das coisas, e as medidas permitam se observar que não passam de convenções.
O tempo enquanto admiro Corelli e escrevo esses meus desvaneiso existências passam, e não volta mais, apenas espero e acredito que essa arbitrariedade natural do tempo, evoque um crescimento maior á minha alma.