Era amor. Daqueles devastadores, indeléveis, difíceis de controlar. E ele nem queria que controlassem. Era amor, ele sabia; gostava de amar. Não importavam as risadinhas sorrateiras que terminavam em uma tosse seca e falsa dos colegas que o acompanhavam no horário de almoço. Ele amava. Amava atravessar a rua, toda cinza, estendida para ele como um tapete de concreto. Fiel. Tesa. Incólume. Pros diabos com a faixa. Preferia o risco, o medo, o alarde. Vez ou outra escutava uma buzina indignada. Sorria. Contente da rua, sua rua, aquela que nunca o maltratara. Exaltava o solo como a um deus antigo. Enumerava suas vantagens, listava seus feitos. Nova, velha, esburacada ou de seda, que importa? Era rua, consoante e vogais espremidas, apertadas entre as calçadas, inúteis e velhas. Gostava também das guias, acessos privados ao meio de transporte de seus pés. Amava atravessar a rua e sentia-se todo atravessado.
Choveu um dia. Gotas enormes, grossas e mal educadas. Caiam sem aviso, sem com-licença nem me-desculpe. Os carros empacados eram os que mais sofriam. Faróis ligados às três da tarde, paravam nos semáforos e cruzamentos um grudado ao outro como se quisessem se ultrapassar sem molhar os pneus por muito mais tempo. Ele se atrasara para o almoço. Foi até a rua e ela o esperava acompanhada. Apinhada de portas, para-choques e calotas, o encarava como quem pede desculpas antecipadamente. Considerou se espremer entre os carros: o espaço não permitia. Pensou em cambalhotas, acrobacias e riu de si mesmo. Só lhe restava a faixa.
Andou até ela com receio. As listras brancas desconfiavam dele. Começou a travessia sem encarar o semáforo ou o chão. O vento castigou o guarda-chuva e em dez segundos ele era só um couro cabeludo seco. As lentes do óculos estavam encharcadas e ele não tinha um para-brisa. Chegando ao canteiro central suspirou de frustração. Pra que dividir a avenida em dois? Por pura necessidade começou a atravessar a outra parte. Não sabia dominar a faixa. Cambaleou por ela sem perceber o movimento que recomeçava. Aquilo não eram carros, podia ser o vento. Buzina? Que nada, impressão. Só não se enganou no atropelamento. Quase alcançara a guia, mas não ouviu o aviso gritado. A chuva tirou seus sentidos e a travessia sua atenção. O rosto sangrava de encontro a rua. Braços abertos como num abraço infinito e verdadeiro. A faixa o espiava, um metro e meio atrás de onde seu corpo havia pousado. Falhara com ela antes, abandonava agora a rua. Melhor que tivesse amado a calçada.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
Quando Minha Alma Reage a Musica.
Meus ouvidos, meu peito, meus olhos, meu corpo transborda. Eleva minha mente, e cada acorde incita uma nova noção do meu corpo. Cada deslize pelo instrumento é uma conexão nervosa, e desconhecida no meu físico. A melodia revitaliza, o ritmo incendeia, a harmonia eleva, e a junção disso tudo me faz crer que a musica pode ser a comunicação mais singela da alma, a maneira mais eficaz de podemos ser, tudo aquilo que escutamos.
Os acordes cochicham aos meu ouvidos, os segredos mais íntimos do meus inconsciente. As notas invadem a profundidade das minha emoções, e cogitam a possibilidade existir á propagação do som. A musica nos contam incógnitas, a musica fala em códigos e tons, e conseguem expressar de maneira tão rebuscada, que não conseguimos traduzir por meio consciente.
A musica é a epifania mais divinas das artes!
Os acordes cochicham aos meu ouvidos, os segredos mais íntimos do meus inconsciente. As notas invadem a profundidade das minha emoções, e cogitam a possibilidade existir á propagação do som. A musica nos contam incógnitas, a musica fala em códigos e tons, e conseguem expressar de maneira tão rebuscada, que não conseguimos traduzir por meio consciente.
A musica é a epifania mais divinas das artes!
terça-feira, 4 de junho de 2013
Aonde Terminam os Caminhos
Sobre o lençol, ainda coberto de nós; cogito o pensamento de existir sem você. Sem sua áurea que ameniza meu caos, sem tuas dúvidas, sem tuas mãos e pesadelos, e assim, inconscientemente, perco o ritmo da minha respiração, e meu peito arde de tanto pudor, pela minha mente pregadora de peças.
Suas sombras detalhadas pelas luzes do amanhecer colorem o nascer dessa segunda-feira e traz toda a paz que minha alma precisa.
Sinto uma necessidade imensurável de passear minhas mãos sobre seus cachos bagunçados. Me torno livre ao teu lado. Me transformo em um abismo com o roçar de sua barba. Vivo imensidão envolta de todos os teus detalhes.
Meus olhos transbordam, misturas melancólicas, gotas salgadas e você acorda com o molhar das lágrimas sobre teus laços.
Teus dedos arrepiam meus cílios, e rapidamente seus lábios viajam a caminho do meu, sentir sua respiração alinhada com a minha, cogita um sorriso bobo surgindo sobre minha boca repleta de felicidade.
Nossos odores se tornam a essência entre corpo e espírito.
Entre beijos e toques, teu desejo me transporta para uma realidade metafísica, aonde me completo sobre teus sonhos rebuscados.
Alcancei teus sentidos inativos.
Liberta-me de sensações desconhecidas.
Meu amor transborda, e através desse gostoso romance, descobri;
aonde termina nossos caminhos.
O que me resta é naufragar para sempre sobre teus lábios.
Suas sombras detalhadas pelas luzes do amanhecer colorem o nascer dessa segunda-feira e traz toda a paz que minha alma precisa.
Sinto uma necessidade imensurável de passear minhas mãos sobre seus cachos bagunçados. Me torno livre ao teu lado. Me transformo em um abismo com o roçar de sua barba. Vivo imensidão envolta de todos os teus detalhes.
Meus olhos transbordam, misturas melancólicas, gotas salgadas e você acorda com o molhar das lágrimas sobre teus laços.
Teus dedos arrepiam meus cílios, e rapidamente seus lábios viajam a caminho do meu, sentir sua respiração alinhada com a minha, cogita um sorriso bobo surgindo sobre minha boca repleta de felicidade.
Nossos odores se tornam a essência entre corpo e espírito.
Entre beijos e toques, teu desejo me transporta para uma realidade metafísica, aonde me completo sobre teus sonhos rebuscados.
Alcancei teus sentidos inativos.
Liberta-me de sensações desconhecidas.
Meu amor transborda, e através desse gostoso romance, descobri;
aonde termina nossos caminhos.
O que me resta é naufragar para sempre sobre teus lábios.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Silêncio
Era um daqueles dias que se
parecem com dia nenhum. O céu não estava nublado, não chovia e tampouco
ventava. Não importavam o sol e o azul. O mar ou o sal. Tanto fazia. Eles
ficaram lá dentro por tanto tempo que o lá fora já não parecia nada. O hospital
era o movimento das ruas entre algumas paredes, enjaulado, contido, sem
escapatória. Sentado, bem ao lado do outro, esperava.
Pelo que eu não sei bem, mas sei que esperava por algo. Talvez uma saída
dali, uma fuga, uma porta, um buraco ou um daqueles sequestros relâmpagos que
noticiam na TV. Entediados e ansiosos, era um momento em que o nada não era bem
vindo. Alguma coisa acontecia. Em silêncio, no sufoco, mas acontecia.
Silêncio. A única coisa de que ele se lembrava mais do que o café forte
pronto em cinco minutos era o silêncio. Aterrador como a asfixia, sufocante
como plástico envolta da cabeça. Nunca desapareceu. Sempre entre eles, vivendo
mais do que eles próprios. O pai não estava ausente, mas a presença não era
sentida. As poucas palavras trocadas pareciam evaporar antes que chegassem aos
ouvidos do outro, mas pelo menos economizavam saliva. Nenhuma infância feliz,
nenhum futuro sonhado. Era simples, medíocre, seco. Nem infeliz se dizia,
porque não conhecia a felicidade. Cresceu sem expectativas porque o pai não lhe
dera esperança alguma. Continuava ali, sentado ao lado dele naquele hospital
lotado, esperando sabe-se lá o quê.
O tempo passou invisível. Entraram naquele quarto, prescreveram um
não-sei-quê, deram um diagnóstico assim, assim e os deixaram. Ele queria pedir,
implorar, declamar que não os deixassem sós; o máximo que conseguiu foi abanar
a cabeça. Sentou agora o mais longe possível dele, aquele moribundo que não o
reconhecia mais. Já faziam meses. O câncer se alastrara mais rápido que o
descaso recíproco. Sem outros parentes que se importassem, se encarregou de
cuidar daquele resto de vida; não que ele se importasse, pelo contrário. A
companhia do pai era quase nada. Sem palavras, cartas, bilhetes, telefonemas,
telegramas, sinais de fumaça. Um hiato no tempo. Agora mais ainda, já que a
respiração dele era praticamente nula.
Daí um movimento. Um desses contidos, que quase ninguém perceberia. Ele
percebeu. O doente se esforçava pra dizer alguma coisa que ele não queria
escutar. Levantou, caminhou até lá e sentou-se enquanto ele lhe agarrava a mão.
Por um momento os olhos alheios mostraram tudo o que nunca tinha visto. Não era
o pai que faltava, era ele mesmo. Não era a palavra, era o toque. O que não
tinha feito se esvaia agora em nada, coisa alguma, bem como a voz daquele que
tentava lhe falar.
Pediu que ele ficasse calmo e tentou se acalmar. O coração batia tão
rápido que ele poderia doar seus batimentos ao outro. Numa cópia deste, não
pensava, respirava ou se movia direito. Veio o ápice. As respirações se
suspenderam, as mãos se apertaram. Como numa despedida singular, não falavam
nada, mas se gritavam. Ele nunca dissera ao pai nada significativo, mas aquilo
não significava nada. O “te amo” saiu de assalto, como quem escapa do cativeiro.
O pai sorria liberto. Ele chorava aterrado. A mão do primeiro pendeu mole,
fria, sem tato algum. Ficaram eles ali, parados, lado a lado. Um vivendo a
morte que acabara de ganhar e o outro sofrendo a vida que acabara de perder.
Silêncio.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Meu Tom.
Às vezes, esses artistas
Parecem falar em outra língua
Discutem sobre os sons das teclas
Os sons da corda ou de um 'simples' sopro
Falam sobre o tom de Lá
Outros insistem no tom de Sol
Particularmente falando,
Fico bem com o Tom Jobim.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Essa Minha Admiração Pela Vida Coberta de Receio...
Eu me apego
ao detalhe, pois somente ele aparenta ser fiel á leveza de nossa existência.
Sou a totalidade de uma melancolia que eu mesmo desconheço, e tenho medo de ter
certeza de minha condição, por medo de ser enganada pela perversidade de meus
desejos. Não se pode ter convicção quando não se tem certeza de quem realmente
é, e não sei explicar essa paixão que sinto por cogitar a ideia de ser livre, se
nunca pertenci a nada e nem a ninguém.
Sou
simplista, pois cativo-me ás coisas bonitas. Por um mínimo segundo qualquer me
emociono com a beleza da expressão, seja da natureza, da artística ou do acaso,
e me apego á essas frações de tempo tão fortemente, que encontro o prazer de
viver. Contudo sou complexa, duvido de convicções já exemplificadas, e temo
aquilo que me impõem de certeza. Enfim devo ser alguém paradoxal, coberto de
receio, e espontaneidade, de gargalhadas e lagrimas, não sabendo que sentimento
é difuso ao outro, apenas tentando aliviar essa indiferença do mundo com a arte.
Porem a arte
surge a mim como uma faca de dois gumes, me frustro com o caos da totalidade, e
redimo minha angustia por sentimentos, musicas, fotografias e principalmente
livros, me acumulo em cada pixel, acordes, páginas, e detalhes, deixando
todo meu sufoco se distrair com a genialidade da expressão humana. Contudo após
o termino da admiração me frustro ainda mais, por saber que nunca vou atingir a
perfeição de tais expressões artísticas. É um fluxo continuo que temo carregar
a vida toda. Esse sentimento de admiração coberto de receio, que se
desmonta e se reconstrói ao termino de cada apreciação artística em que me
apaixono.
Nunca vou
entender essa minha atração pelo a autodestruição. É como se eu tivesse
tentando encontrar algo que jamais vou achar.Qualquer um dos meus sentidos é
vago de razões para aceitar o conformismo das pessoas. É tanta pretensiosidade espalhada
por ai, e eu tenho tanta repulsa por essas prepotências humanas, que já consigo
lidar bem com a companhia da solidão.Já me conformei com o fato que preciso lidar com esse meu sentimentalismo. Porem
nunca terei certeza se o caos perdura fora, ou aqui dentro de mim.
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