sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Frustração de uma Insonia

Eu programo o meu futuro criando falsas expectativas; Sempre tento achar uma maneira de acabar com esses pensamentos, mas acabo criando uma coleção de tediosas horas. Minha competência é inexistente, tao quanto a salvação para o egoismo da sociedade; a esperança de um dia melhor é impregnante em minha mente como um parasita, mas os acasos dos dias de hoje, me fazem pensar que isso tudo é apenas uma mera ilusão.
Me canso fácil de tudo e de todos, procurando defeitos inúteis pra constatar que sempre estou com a razão. Eu tenho tanto medo do futuro, do que está pra acontecer, que começo a programar armadilhas, acreditando que nada vaia acontecer e que o presente é o único infinito existente.
Observo a vida dos outros, florescendo de privilégios, e documento minhas frustrações e anseios na palavra. Um caderno e um objeto que risque os meus temores é o necessário para acalmar minhas desilusões.  

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Talvez

Talvez seja, a persuasão dos seus atos sobres os meus.
Talvez a felicidade, seja a soma de minhas vontades.
Talvez, eu seja feita de cacos, que você cola, pra poder quebrar de novo.
Talvez o capitalismo gere falsas ambições.
Talvez o tempo é o pai do acaso.
Talvez, a beleza de tudo, esteja na certeza do nada.
Talvez borboletas sejam flores, que o vento tirou pra dançar.

Talvez, eu seja apenas um talvez, tentando ser certeza.
Tentando ser para sempre, e parando sempre, pela metade.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Estúpida Carência

No fim de tarde vazio, nublado, de uma monótona sexta-feira Jackson saia do trabalho, levando para casa aquele crescente peso de que sua vida era um fracasso. Altura mediana,  corpo esguio,  e uma aparência de cansado, que era causada, pelas estúpidas palavras que culpavam ele, ditas pelos seus colegas de trabalho.
Agora ele estava no transito caótico, de cidade grande, com as mãos no volante,  se perguntando o que ele fazia ali, se aquele sentimento de vazio, realmente fazia sentido, e se a vida dele, era pra ser assim,  no fundo aqueles barulhos ecoando, buzinas, conversas desviadas, motores dos automóveis. Quando parou no sinaleiro, começou a observar o artista de rua, fazendo o malabarismo de garrafas para conseguir um sustento pequeno, Jackson havia ficado encanto, pelas aquelas pequenas junção de segundos se perguntou se era digno, passando pela sua cabeça turbilhões de perguntas sem respostas, agora ele somente olhava pata o vazio
-O senhor gostaria de colaborar ai? – sorria o humilde artista
Ele olhará o painel do carro se havia algumas moedas para pagar o jovem, ele não achara nada.
-Por que você não tenta achar algum trabalho?-diz ele sem calma
-Por que essa é a minha arte
Sem Jackson perceber, os carros atrás já buzinavam,  ele avançou o carro, e assistia pelo retrovisor, o jovem podre, ali parado, olhando seu carro. Aquele homem, agora tinha suas repostas solucionadas, ele sabia do que uma vida precisava pertencer, aquelas coisas sem explicações, precisava de um impulso,  para te guiar.-essa é minha arte- Jackson encostou seu carro, perto da calçada, olhou para os  lados, procurando algo que não sabia o que era, ele estava muito perdido para ser encontrado, ele liberou aquela carga emocional, chorando, fazendo cada lagrima, uma esperança para um dia melhor; quanto mais tentava secá-las mais elas se escapavam dos seus olhos.
Por que? Por que isto está acontecendo comigo?  Por que aquela simples reposta do artista de rua me fez sentir assim? -E ele não parava de se perguntar, sabendo que não teria ninguém ali para responder, sabendo que aquele homem não era aquilo que a sociedade pregava que dele estava ali, por um motivo, que nem o próprio artista de rua saberia explicar. E ele, jackson somente era, mais um escravo do colarinho, que teve seus sonhos apagados, por grupo de pessoas que lhe rebaixavam, e tentavam fazer da manipulação, um jogo, em que havia somente um ganhador, mas que não se davam conta do que fez Jackson, esse homem qualquer, e muito outros sentir, esta estúpida carência.

sábado, 5 de novembro de 2011

Impressionante a capacidade que pessoas aleatórias têm - de ser “a melhor pessoa de todos os tempos”. Todo dia, andando pela rua, eu me deparo com uma pessoa que eu nunca vi na vida e penso: “eu preciso conhecer essa guri”, “ele é a melhor pessoa do mundo”. E vale salientar que eu não me prendo apenas à beleza física, ou na escolha das roupas, nem mesmo naquele mais-puro-charme, quando penso nisso. É uma questão de vibrações. E eu falo de “vibrações” no sentido menos hippie da palavra. É como se vibrássemos em freqüências semelhantes. É como se eu mandasse sinais, códigos, para todos os lados, e esses códigos coincidissem com os dele. Se ele é mal-educado, não sei. Burro? Não sei! Tem mau hálito? Como saber, se eu nem conversei com ele? “E por quê eu não cheguei e falei?” - me pergunto, em “Depois de Voltar”. A resposta me vem à cabeça antes mesmo de colocar a interrogação no final do verso. É que eu não poderia suportar o fato de saber que essa pessoa não é a melhor pessoa do mundo. Eu não gostaria nem um pouco de saber que trata-se de uma pessoa comum, cheia de defeitos e características que eu possa vir a detestar. Eu não quero que ela seja desse mundo.
Então eu prefiro me agarrar a esses poucos minutos em que eu fico imagino. Eu penso que aquele olhar meio perdido, que lembra muito o meu, não é uma coincidência. Eu penso que ele só não me viu porque, assim como eu, está com a cabeça nas nuvens e, de lá, manda sinais, também para todos os lados. E é assim que eu me apaixono, meus caros, mesmo que seja por um punhado de minutos. Todo dia é assim.
No entanto, se existe alguma coisa que me motiva a sempre sair na rua e mandar esses sinais sem destinatário, é o fato de eu acreditar nas coincidências absurdas que se escondem por detrás de todas essas esquinas. De alguma forma, lá no fundo, eu sei que vou tropeçar em ti, mais cedo ou mais tarde. Sei que não vai haver distração capaz de tirar o teu olhar do caminho do meu. Algo vai acontecer, e os nossos sinais vão se coincidir, vamos colidir de forma tão violenta que a nossa vibração vai ser uma só. Vamos ressonar, pra todo mundo ouvir e voltar a acreditar que as “melhores pessoas do mundo”, de fato, existem. Aí eu virei aqui pra contar que o destino realmente existe, e que muitas das nossas melhores histórias são escritas a quatro mãos, de olhos fechados, e sem revisão ortográfica.
Quando eu digo que o futuro é agora, quero dizer que o final dessa história depende do começo, da primeira linha, da primeira palavra. É por isso que eu pego a caneta pra escrever os meus dias nas calçadas, nas marquises, vitrines e paredes. É por isso que eu vou vagar sem rumo, sem mapa, por essas ruas. É porque eu tenho certeza de que, um dia, eu vou tropeçar em ti, mesmo que tu ainda não exista. Mesmo que tu sejas uma utopia, uma ilusão que eu criei na minha cabeça. Mesmo que tu não passes de uma paixão-de-5-minutos. Mesmo que, para isso, eu tenha que esquecer como é que se volta pra casa.