domingo, 29 de janeiro de 2012

Sobre Coisas Que Cabem em Um Mês

A preguiça física nos impede de mudar. Mas basta uma faísca entre dois neurônios para que nossa mente nos aponte para outra direção. Das duas uma: ou tu segues as novas coordenadas, que te podem levar por terrenos inóspitos e até mesmo campos minados, ou optas por permanecer no curso antigo, ignorando a intermitente buzina que te avisa: “estás no caminho errado”.Não digo “errado” no sentido mais amplo da palavra. Talvez sejam justamente as instruções antigas, as que estavam corretas. Mas acredito que, às vezes, precisamos deparar com um beco sem saída para descobrirmos que o caminho é pro outro lado. A vida já cansou de me provar repetidamente que a escolha certa é justamente a que me parece mais errada. Mas a gente precisa errar. Mas não errar por engano, por distração, displicência. Eu erro com força, e com vontade. Eu erro melhor, para errar menos.
E, sim, saio errante pela rua, torcendo pra chuva não me pegar, ou enxarcar cada centímetro da minha pele. Não é que eu esteja deixando a maré me levar, como se fosse plâncton. Eu erro por aí na tentativa de acertar. Depois de perceber que, sempre que acho que estou fazendo a coisa certa, descubro que estou machucando alguém, tenho apostado cada vez mais no que não me parece sensato. Improvável? Vamos. Impossível? Não existe. Impensável? Bora!
Sigo a maré das sinapses. Se a mente muda, eu mudo. Somente assim eu possa ser cem por cento sincero com aquele que mais estimo: eu.
“Tá, mas o que é que cabe em um mês?” – tu perguntas. Um ciclo lunar, um ciclo menstrual, uma copa do mundo, duas olimpíadas, um amor de verão, quatro amores de verão…
Um mês é o tempo que levei pra escrever de novo. O tempo que minha mente demorou pra mudar o curso da minha alma. Pra onde ela aponta agora? Pra bem longe.
Prometo ser mais ágil, escrever mais, e depois ler minha sensações esclarecidas perante as palavras.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Reflexo

O que seu espelho mostra pra você, quando você está de frente pra ele? O que é que você diz de você mesmo, do que você faz, do que você fez, do que você pensa? Seria possível tamanho distanciamento de si mesmo, a ponto de tecermos uma auto-avaliação que não seja contaminada pela nossa vaidade?
 O que tenho descoberto é que, a cada dia que passa, nós, que acreditamos em nós mesmos, vemos no reflexo algo cada vez mais parecido com o que sonhamos. Que fique claro que não me refiro, aqui, à imagem física, às aparências e às enganosas armadilhas que essas nos colocam pelo caminho. Eu falo de sonhos, e de objetivos, que nada mais são do que sonhos dos quais a gente realmente está correndo atrás. Eu falo de missões que a gente dá a si mesmo. Estamos cumprindo? Estamos, ao menos, tentando cumprí-las? Será que a gente sabe qual é a nossa missão aqui?
 O espelho pode nos dizer isso melhor do que ninguém. Estou cansada de gente que não consegue olhar nos olhos, pura e simplesmente por não saber que é atrás dos olhos que se encontra a nossa alma, nosso verdadeiro ser. Essas pessoas não conseguem nem olhar nos seus próprios olhos, pois sabem que vão ver o que não querem, mas sabem o que é. Sabem que estão em débito para consigo mesmos, e não se demonstram interessados em saldar essas dívidas.
Falando assim, posso parecer feita de certezas, quando, na verdade, não passo de um alguém cheio de dúvidas. Mas são essas dúvidas que me guiam atrás de respostas. E o que eu digo aqui, eu aprendi durante essas buscas infindáveis. Quantas vezes acabei encontrando uma pergunta ainda mais inquietante, quando tudo o que eu queria era uma resposta curta e certeira. Não há. Nunca houve. Algumas delas o espelho me conta, quanto a outras, me dá somente dicas confusas. E tem também aquelas que são tão complicadas que eu nem sei por onde começar a perguntar. E é por não ter respostas para tudo que eu acabo escrevendo pra mim mesmo essas perguntas. Um dia eu vou saber responder. E vou escrever na minha alma, para que todos leiam por detrás dos meus olhos. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Gargalhada.

Pela situação que estava, era normal o nervosíssimo.
 Ela fechou a porta malas, olhou para os lados e seguiu a estrada por vários minutos que abrigavam aquela madrugada. Ela não conseguiu pensar em nada, sua mente estava vazia; pareceria uma marionete se não estivesse sem destino algum.
Nunca havia encontrado prazer tão retumbante quanto o medo, de uma flagra acabar com suas conseqüências.  Era como se tivesse em um estado súbito de adrenalina, uma escancarada vitima de uma falácia de espantalho.  
Depois de alguns instantes, algo começou a se debater no porta-malas e gemidos abafados era escutado nitidamente. Ignorar, demonstrava ser incorreto, a madrugada já abrangeu  de todo o silêncio. Sem saber o que fazer ela acelerou; e pelo prazer do mero acaso, ignorou a estrada, fechou os olhos, e encontrou-se no ápice inútil de vida e morte, não queria abrir os olhos e nem tirava qualquer centímetro do acelerador, e após alguns segundos calmaria se tornara escassa. Depois de um grande impulso, ela sentiu a colisão, que tirou o carro para fora da pista, e então abriu os olhos e avistou o que acontecera. Seu carro amassado, ela machucada, e nenhum vestígio de que seu ex-marido estava vivo.
Ela somente gargalhava.