sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Gargalhada.

Pela situação que estava, era normal o nervosíssimo.
 Ela fechou a porta malas, olhou para os lados e seguiu a estrada por vários minutos que abrigavam aquela madrugada. Ela não conseguiu pensar em nada, sua mente estava vazia; pareceria uma marionete se não estivesse sem destino algum.
Nunca havia encontrado prazer tão retumbante quanto o medo, de uma flagra acabar com suas conseqüências.  Era como se tivesse em um estado súbito de adrenalina, uma escancarada vitima de uma falácia de espantalho.  
Depois de alguns instantes, algo começou a se debater no porta-malas e gemidos abafados era escutado nitidamente. Ignorar, demonstrava ser incorreto, a madrugada já abrangeu  de todo o silêncio. Sem saber o que fazer ela acelerou; e pelo prazer do mero acaso, ignorou a estrada, fechou os olhos, e encontrou-se no ápice inútil de vida e morte, não queria abrir os olhos e nem tirava qualquer centímetro do acelerador, e após alguns segundos calmaria se tornara escassa. Depois de um grande impulso, ela sentiu a colisão, que tirou o carro para fora da pista, e então abriu os olhos e avistou o que acontecera. Seu carro amassado, ela machucada, e nenhum vestígio de que seu ex-marido estava vivo.
Ela somente gargalhava.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A mercê da vida

Questiono-me muito o papel do ser – humano perante a sociedade, e começo a ter uma fria visão de que a maioria das pessoas é descartável. Basicamente é como  se a maioria, fosse apenas viva para alimentar o ego de poucos, ou até mesmo de objetos, fazendo de sua vida uma falsa felicidade. 
Se analisarmos de longe a sociedade, o existencialismo é algo totalmente efêmero. Somos apenas pessoas, que vivem conforme um padrão, falando mal do amor, mas mesmo assim, fazendo de cada situação, uma ação pra fazerem as pessoas nos amarem mais, e fazendo o egoísmo uma única maneira de felicidade, sem ao menos percebemos o quanto banal somos.
 Junto com a ignorância, vem a falta de essência e a realidade é que as pessoas não querem escutar e nem aceitar que suas vidas podem ser mais insignificante, do que a de um inseto.Nascemos, vivemos e morremos como qualquer outro ser-vivo, como Goethe diz “A mercê dos dias, do tempo”. Nós, a sociedade, destruímos pela imposição das ilusões que criamos sobre anseios divinos; produzimos a fantasia da perfeição e, por ela, chacinamos e sucumbimos.
Se dedicássemos nossas vidas a arte, conhecimento e principalmente a simplicidade, esquecendo o padrão, a rotina e o mecanismo, talvez a estagnação do tempo morresse e nossas almas pudessem ser realmente livres e felizes. É preciso se afastar, para adquirir perspectiva. E quando você pisa numa grama fresquinha, e consegue ouvir os passarinhos conversando, e consegue ver o horizonte, você descobre que era apenas isto que estava faltando. Percebemos o mundo através dos sentidos, que nos causam sensações internas. A aparência das coisas não é insignificante. Nosso estado emocional e mental é afetado por tudo isso e são eles que guiam nossas ações no mundo.
Talvez soe clichê, mas a  criatividade deveria estar presente em todos os momentos de nossas vidas. É a natureza da vida e de tudo que é vivo, é o que nos faz sentir vivos. Cantar no chuveiro, dançar sozinho, tirar fotos, prestar atenção nas coisas à sua volta, olhar pela janela, escrever uma carta, olhar nos olhos, fazer um bolo ,escrever seu sonho depois de acordar, abraçar, estar aberto a idéias,  reciclar, renovar algo velho, mudar o caminho, brincar com o cachorro, sorrir para alguém na rua, compor uma música, fazer projetos, aprender algo novo... aproveitar intensamente a simplicidade.Em suma nossa vida, aos olhares estranhos talvez ainda seja inútil, mas á nós, será a maior prova a  de enriquecimento da alma.



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Frustração de uma Insonia

Eu programo o meu futuro criando falsas expectativas; Sempre tento achar uma maneira de acabar com esses pensamentos, mas acabo criando uma coleção de tediosas horas. Minha competência é inexistente, tao quanto a salvação para o egoismo da sociedade; a esperança de um dia melhor é impregnante em minha mente como um parasita, mas os acasos dos dias de hoje, me fazem pensar que isso tudo é apenas uma mera ilusão.
Me canso fácil de tudo e de todos, procurando defeitos inúteis pra constatar que sempre estou com a razão. Eu tenho tanto medo do futuro, do que está pra acontecer, que começo a programar armadilhas, acreditando que nada vaia acontecer e que o presente é o único infinito existente.
Observo a vida dos outros, florescendo de privilégios, e documento minhas frustrações e anseios na palavra. Um caderno e um objeto que risque os meus temores é o necessário para acalmar minhas desilusões.  

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Talvez

Talvez seja, a persuasão dos seus atos sobres os meus.
Talvez a felicidade, seja a soma de minhas vontades.
Talvez, eu seja feita de cacos, que você cola, pra poder quebrar de novo.
Talvez o capitalismo gere falsas ambições.
Talvez o tempo é o pai do acaso.
Talvez, a beleza de tudo, esteja na certeza do nada.
Talvez borboletas sejam flores, que o vento tirou pra dançar.

Talvez, eu seja apenas um talvez, tentando ser certeza.
Tentando ser para sempre, e parando sempre, pela metade.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Estúpida Carência

No fim de tarde vazio, nublado, de uma monótona sexta-feira Jackson saia do trabalho, levando para casa aquele crescente peso de que sua vida era um fracasso. Altura mediana,  corpo esguio,  e uma aparência de cansado, que era causada, pelas estúpidas palavras que culpavam ele, ditas pelos seus colegas de trabalho.
Agora ele estava no transito caótico, de cidade grande, com as mãos no volante,  se perguntando o que ele fazia ali, se aquele sentimento de vazio, realmente fazia sentido, e se a vida dele, era pra ser assim,  no fundo aqueles barulhos ecoando, buzinas, conversas desviadas, motores dos automóveis. Quando parou no sinaleiro, começou a observar o artista de rua, fazendo o malabarismo de garrafas para conseguir um sustento pequeno, Jackson havia ficado encanto, pelas aquelas pequenas junção de segundos se perguntou se era digno, passando pela sua cabeça turbilhões de perguntas sem respostas, agora ele somente olhava pata o vazio
-O senhor gostaria de colaborar ai? – sorria o humilde artista
Ele olhará o painel do carro se havia algumas moedas para pagar o jovem, ele não achara nada.
-Por que você não tenta achar algum trabalho?-diz ele sem calma
-Por que essa é a minha arte
Sem Jackson perceber, os carros atrás já buzinavam,  ele avançou o carro, e assistia pelo retrovisor, o jovem podre, ali parado, olhando seu carro. Aquele homem, agora tinha suas repostas solucionadas, ele sabia do que uma vida precisava pertencer, aquelas coisas sem explicações, precisava de um impulso,  para te guiar.-essa é minha arte- Jackson encostou seu carro, perto da calçada, olhou para os  lados, procurando algo que não sabia o que era, ele estava muito perdido para ser encontrado, ele liberou aquela carga emocional, chorando, fazendo cada lagrima, uma esperança para um dia melhor; quanto mais tentava secá-las mais elas se escapavam dos seus olhos.
Por que? Por que isto está acontecendo comigo?  Por que aquela simples reposta do artista de rua me fez sentir assim? -E ele não parava de se perguntar, sabendo que não teria ninguém ali para responder, sabendo que aquele homem não era aquilo que a sociedade pregava que dele estava ali, por um motivo, que nem o próprio artista de rua saberia explicar. E ele, jackson somente era, mais um escravo do colarinho, que teve seus sonhos apagados, por grupo de pessoas que lhe rebaixavam, e tentavam fazer da manipulação, um jogo, em que havia somente um ganhador, mas que não se davam conta do que fez Jackson, esse homem qualquer, e muito outros sentir, esta estúpida carência.

sábado, 5 de novembro de 2011

Impressionante a capacidade que pessoas aleatórias têm - de ser “a melhor pessoa de todos os tempos”. Todo dia, andando pela rua, eu me deparo com uma pessoa que eu nunca vi na vida e penso: “eu preciso conhecer essa guri”, “ele é a melhor pessoa do mundo”. E vale salientar que eu não me prendo apenas à beleza física, ou na escolha das roupas, nem mesmo naquele mais-puro-charme, quando penso nisso. É uma questão de vibrações. E eu falo de “vibrações” no sentido menos hippie da palavra. É como se vibrássemos em freqüências semelhantes. É como se eu mandasse sinais, códigos, para todos os lados, e esses códigos coincidissem com os dele. Se ele é mal-educado, não sei. Burro? Não sei! Tem mau hálito? Como saber, se eu nem conversei com ele? “E por quê eu não cheguei e falei?” - me pergunto, em “Depois de Voltar”. A resposta me vem à cabeça antes mesmo de colocar a interrogação no final do verso. É que eu não poderia suportar o fato de saber que essa pessoa não é a melhor pessoa do mundo. Eu não gostaria nem um pouco de saber que trata-se de uma pessoa comum, cheia de defeitos e características que eu possa vir a detestar. Eu não quero que ela seja desse mundo.
Então eu prefiro me agarrar a esses poucos minutos em que eu fico imagino. Eu penso que aquele olhar meio perdido, que lembra muito o meu, não é uma coincidência. Eu penso que ele só não me viu porque, assim como eu, está com a cabeça nas nuvens e, de lá, manda sinais, também para todos os lados. E é assim que eu me apaixono, meus caros, mesmo que seja por um punhado de minutos. Todo dia é assim.
No entanto, se existe alguma coisa que me motiva a sempre sair na rua e mandar esses sinais sem destinatário, é o fato de eu acreditar nas coincidências absurdas que se escondem por detrás de todas essas esquinas. De alguma forma, lá no fundo, eu sei que vou tropeçar em ti, mais cedo ou mais tarde. Sei que não vai haver distração capaz de tirar o teu olhar do caminho do meu. Algo vai acontecer, e os nossos sinais vão se coincidir, vamos colidir de forma tão violenta que a nossa vibração vai ser uma só. Vamos ressonar, pra todo mundo ouvir e voltar a acreditar que as “melhores pessoas do mundo”, de fato, existem. Aí eu virei aqui pra contar que o destino realmente existe, e que muitas das nossas melhores histórias são escritas a quatro mãos, de olhos fechados, e sem revisão ortográfica.
Quando eu digo que o futuro é agora, quero dizer que o final dessa história depende do começo, da primeira linha, da primeira palavra. É por isso que eu pego a caneta pra escrever os meus dias nas calçadas, nas marquises, vitrines e paredes. É por isso que eu vou vagar sem rumo, sem mapa, por essas ruas. É porque eu tenho certeza de que, um dia, eu vou tropeçar em ti, mesmo que tu ainda não exista. Mesmo que tu sejas uma utopia, uma ilusão que eu criei na minha cabeça. Mesmo que tu não passes de uma paixão-de-5-minutos. Mesmo que, para isso, eu tenha que esquecer como é que se volta pra casa.

sábado, 29 de outubro de 2011

Instintivo Acaso

É em dias como esses que acredito nas casualidades, na simplicidade de somar meus sonhos ao tamanho de minha vontade. É nos pequenos privilégios que acabo percebendo que tudo depende de entregar-se a aquilo que lhe deixa e nos faz bem. O desespero me carrega a paralelas realidades que me conforta, e assim, meu ponto-de-vista um peculiar, que diante a todos meus temores, se transforma em objetivos. Tenho preguiça da perfeição e do status, minha calmaria anseia a arte, tao quanto o amor; pretendendo sempre acender minha escuridão.